O programa NORTE 2030, após a reprogramação de 2025, passará a incluir apoios específicos à construção e reabilitação de residências estudantis, bem como ao investimento em infraestruturas de ensino superior, reforçando a resposta regional a um dos principais desafios de acesso e permanência no ensino superior.
A medida foi destacada pelo Presidente da CCDR Norte, Álvaro Santos, durante o Encontro Nacional de Boas Práticas em Alojamento Estudantil, promovido pelo Politécnico do Porto.
Perante representantes de instituições de ensino superior, autarquias, serviços de ação social e entidades públicas e privadas, o responsável sublinhou que o alojamento estudantil se afirma hoje como uma política estruturante de igualdade de oportunidades, sucesso educativo e coesão territorial.
Álvaro Santos salientou a oportunidade deste debate. Porque, nas suas palavras, “discutir alojamento estudantil não é discutir apenas edifícios, camas, metros quadrados ou cronogramas de obra. É discutir coesão social. É discutir igualdade de oportunidades. É discutir, no fundo, o modelo de desenvolvimento que queremos para o país e para as nossas regiões.”
“Quem olha para uma residência estudantil apenas como um edifício vê apenas uma parte da realidade. Na verdade, trata-se de uma verdadeira infraestrutura de qualificação humana, com impacto direto no percurso académico, na igualdade de oportunidades e no desenvolvimento social”, referiu o presidente da CCDR NORTE, destacando dois indicadores geracionais que ilustram de forma clara essa evolução. Por um lado, o abandono escolar precoce, onde o Norte passou a registar o melhor desempenho nacional: em 2024, a taxa fixou-se nos 5,1%, abaixo da média do restante país (6,6%), refletindo uma mudança estrutural consistente.
Por outro lado, a qualificação superior que evidencia igualmente um progresso significativo. Em 2024, a percentagem da população a frequentar o ensino superior atingiu os 42,1%, ligeiramente acima do valor nacional (41,9%), traduzindo um reforço claro do potencial regional em termos de inovação, produtividade e mobilidade social.
“No entanto, é na evolução de longo prazo que se revela a verdadeira dimensão desta transformação: no ano 2000, esta taxa situava-se apenas nos 9,2%. Em pouco mais de duas décadas, a Região do Norte quadruplicou a sua base de participação no ensino superior”, salientou.
PRR e NORTE 2030 em complementaridade
Além do NORTE 2030, Álvaro Santos destacou o contributo do PRR, que mobilizou cerca de 150 milhões de euros para alojamento estudantil na região Norte, permitindo novas construções, reabilitações e reconversões.
Segundo o responsável, esta articulação entre instrumentos confirma que o alojamento estudantil passou a integrar plenamente a agenda regional de coesão social e territorial.